Seria o possuidor cínico de um telhado de vidro mesmo
conhecendo as consequêcias revi-dativas da ‘lei de talião’ a atirar pedra
friamente em vidraça alheia. Seria
indesejável verdade adormecida que coagula, desejando uma fresta pra escapar e
finalmente ser aceita. Seria
o passado sombrio que acorrenta a realidade consigo a tornar qualquer passo positivo
desconfiável. Seria
a ilusão radiante e ensolarada fantasiada por cima da tempestade, que suplica a
si mesmo que aceite a verdade a qual desenhou. Seria
a incomoda pedra que reside há muito no sapato, e de tanto esperar tornou-se
costumeiramente agradável. Seria
um enigma indecifrável, seria o desassossego, seria o mal que envenena e corroê aos poucos, seriam todos vazios e
excessos, todas as certezas ou ilusões.
Mas também era o seu último seu sopro
de vida diante do mundo, o seu refugio, a sua volta pra casa, o seu ponto de
paz...
Ananda Albuquerque
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