terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Retalhes dos velhos, João e Maria.


   Estive em uma busca incessante por respostas que nunca me chegariam... O que me fazia voltar atrás, engolir a uma unica dose o costumeiro orgulho ? O prendia a ti de um modo tão avassalador que me fazia perder o fôlego e esquecer que eu tinha uma vida além daquelas paredes? Mesmo após aquela tarde de novembro, garrafas e pratos quebrados... Dois corações a mil pedaços, tentando lutar contra a realidade sombria que os cercara. O que me prendia mesmo, depois de tantas tempestades e tapas na cara?  O que detinha-nos a desapegar-se de nós mesmos e nos fazia continuar a remoer aquela velha história com o roteiro premeditado, mesmo após tantos estragos, o que prendia-nos? A resposta à mim cairá como um tiro no pé, a qual sempre soube, mas nunca tive coragem assumir tamanha fraqueza: És como o ópio viciante, que aos poucos me destrói, o meu consciente já não é capaz de deter-te, pois do mesmo tornei-me dependente. 
   A conclusão que cheguei a pouco, corrói-me por dentro como um vírus a tomar-me por inteiro onde não há remédio capaz de exterminá-lo
O meu maior erro foi no principio quando eu revidei aquele primeiro sorriso escroto que me tomava, com o mesmo. O meu maior erro foi ter acreditado mais uma vez em “nós”, Pedro, mesmo tendo aquele fim doloroso as vistas. Foi ter me doado por completo a ti; mergulhado de cabeça sem medir as conseqüências; contradizer tudo o que me falavam ao seu respeito. Meu maior erro foi no principio o qual deveria ter findado por lá mesmo.
  Nós fomos um erro Marina? Fomos sim. Mas mesmo o meu inconsciente, berrando, sacudindo-me, jogando a verdade nua, crua e cruel na cara. Mesmo você desistindo de “nós”. Ainda que eu preveja como você disse “o fim trágico”, como tantos fins que tivemos. Ainda assim eu não vou desistir de “nós”, Desenharei pequenos fios de esperança que me sustentem e leve-me a caminhar até você, mesmo o meu consciente contrariando, ainda com um nó na garganta eu não vou desistir.
   E você sabe o porquê Marina? A vida é assim mesmo, de quando em quando ela te prega essas peças pra mostrar-te o quanto és forte. Você não pode passar por cima dos sapos que a vida lhe põe no caminho. Você deve engolir um a um, muitas vezes como se fosse o seu prato favorito, você tem obrigação de engoli-los. Você não pode fugir do sofrimento como uma criança imatura que não quer encarar a realidade. Ninguém vive em estado de plena felicidade. Sofrimento? É apenas mais um paradoxo. É como minha avó dizia: “Chorar e sofrer nunca há de te fazer mal, ao contrário, só ajuda a amadurecer e tornar-te mais forte.”
   Você não pode fugir Marina, é só uma fase ruim. Você não pode ser tomada pelo medo. Mesmo tendo certeza que vai dar tudo errado, mesmo tendo um mundo e suas opiniões negativas ao nosso respeito, eu não vou desistir de “nós”. E contrariarei a todos e te convencerei a segurar a minha mão e vir comigo, eu preciso de você Marina. Eu preciso pra continuar tentando. Por que a vida é assim mesmo, quando encontramos alguma coisa que nos valha realmente à pena, por mais que soframos e não der certo agente reinicia e continua tentando.
                                                                                                       Ananda Albuquerque

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