terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Assombrosas tardes de setembro...

 Tomava constantes doses nostálgicas… A cada riso sarcástico vindo da rua que lhe invadia a sacada em um fim de tarde qualquer; a um medíocre par de olhos castanhos que a fitava vulgarmente na esquina; a qualquer um de cabelo bagunçado que a esbarrava no caminho; a toda e qualquer desleixada combinação sobreposta por um moletom, com as mangas maiores que os braços que encontrava por ai(…) E todo aquele pesar a envenenava aos poucos, fora atingida matando todas as borboletas que viviam dentro de si, só lhe restara um coraçãocongelado-vazio-quebradoque sua própria morfina já não era mas o suficiente para conter tamanha dor. Cartas, fotos, roupas(…) Juntou tudo o que havia restado e que ainda o lembrava, transformou tudo em cinzas, dispersas ao vento. Ainda assim, as paredes, as paredes guardavam a história, a qual decidiu apagar, das mesmas livrou-se, mudou-se. Fugiu não deixando rastros, deixando todas as lembranças concretas para trás. O mandou embora das gavetas, das paredes azuis, dos retratos na estante, do som do carro, do gosto por panquecas doce no café da manhã... Já havia o expulsado da sua vida há tempos, e ainda assim aqueles fantasmas viviam dentro de si onde quer que fosse como uma sombra a persegui-la, atormentando-a.
                                                                                        Ananda Albuquerque

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