Estive em uma busca incessante
por respostas que nunca me chegariam... O que me fazia voltar atrás, engolir a uma unica dose o costumeiro orgulho ? O prendia a ti de um modo tão
avassalador que me fazia perder o fôlego e esquecer que eu tinha uma vida além daquelas paredes? Mesmo após aquela tarde de novembro,
garrafas e pratos quebrados... Dois corações a mil pedaços, tentando lutar
contra a realidade sombria que os cercara. O que me prendia mesmo, depois de
tantas tempestades e tapas na cara? O
que detinha-nos a desapegar-se de nós mesmos e nos fazia continuar a remoer
aquela velha história com o roteiro premeditado, mesmo após tantos estragos, o
que prendia-nos? A resposta à mim cairá como um tiro no pé, a qual sempre soube, mas nunca tive coragem assumir tamanha fraqueza: És como o ópio viciante,
que aos poucos me destrói, o meu consciente já não é capaz de deter-te, pois do
mesmo tornei-me dependente.
— A conclusão que cheguei a pouco, corrói-me
por dentro como um vírus a tomar-me por inteiro onde não há remédio capaz de
exterminá-lo
O meu maior erro foi no principio
quando eu revidei aquele primeiro sorriso escroto que me tomava, com o mesmo. O
meu maior erro foi ter acreditado mais uma vez em “nós”, Pedro, mesmo tendo aquele
fim doloroso as vistas. Foi ter me doado por completo a ti; mergulhado de cabeça
sem medir as conseqüências; contradizer tudo o que me falavam ao seu respeito.
Meu maior erro foi no principio o qual deveria ter findado por lá mesmo.
—
Nós fomos um erro Marina? Fomos sim. Mas mesmo o meu inconsciente, berrando,
sacudindo-me, jogando a verdade nua, crua e cruel na cara. Mesmo você
desistindo de “nós”. Ainda que eu preveja como você disse “o fim trágico”, como
tantos fins que tivemos. Ainda assim eu não vou desistir de “nós”, Desenharei
pequenos fios de esperança que me sustentem e leve-me a caminhar até você,
mesmo o meu consciente contrariando, ainda com um nó na garganta eu não vou
desistir.
E você sabe o porquê Marina? A vida é assim mesmo, de quando em quando
ela te prega essas peças pra mostrar-te o quanto és forte. Você não pode passar
por cima dos sapos que a vida lhe põe no caminho. Você deve engolir um a um, muitas vezes como se fosse o seu prato favorito, você tem obrigação de
engoli-los. Você não pode fugir do sofrimento como uma criança imatura que não
quer encarar a realidade. Ninguém vive em estado de plena felicidade.
Sofrimento? É apenas mais um paradoxo. É como minha avó dizia: “Chorar e sofrer
nunca há de te fazer mal, ao contrário, só ajuda a amadurecer e tornar-te mais
forte.”
Você
não pode fugir Marina, é só uma fase ruim. Você não pode ser tomada pelo medo. Mesmo
tendo certeza que vai dar tudo errado, mesmo tendo um mundo e suas opiniões
negativas ao nosso respeito, eu não vou desistir de “nós”. E contrariarei a
todos e te convencerei a segurar a minha mão e vir comigo, eu preciso de você
Marina. Eu preciso pra continuar tentando. Por que a vida é assim mesmo, quando
encontramos alguma coisa que nos valha realmente à pena, por mais que soframos
e não der certo agente reinicia e continua tentando.
Ananda Albuquerque