quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Pecado impiedoso que dorme ao lado.

  Seria o possuidor cínico de um telhado de vidro mesmo conhecendo as consequêcias revi-dativas da ‘lei de talião’ a atirar pedra friamente em vidraça alheia. Seria indesejável verdade adormecida que coagula, desejando uma fresta pra escapar e finalmente ser aceita. Seria o passado sombrio que acorrenta a realidade consigo a tornar qualquer passo positivo desconfiável. Seria a ilusão radiante e ensolarada fantasiada por cima da tempestade, que suplica a si mesmo que aceite a verdade a qual desenhou. Seria a incomoda pedra que reside há muito no sapato, e de tanto esperar tornou-se costumeiramente agradável. Seria um enigma indecifrável, seria o desassossego, seria o mal que envenena e corroê aos poucos, seriam todos vazios e excessos, todas as certezas ou ilusões.
Mas também era o seu último seu sopro de vida diante do mundo, o seu refugio, a sua volta pra casa, o seu ponto de paz...


                                                                                                              Ananda Albuquerque

Insana volúpia

  Eu nunca consegui compreender esse prazer masoquista que me atrai a você. Mas eu tenho um incessante desejo por tudo isso; Eu gosto dos calafrios e medo de caminhar em corda bamba, eugosto de dominar o fogo com as mãos, eu gosto de ver as paredes caírem enquanto tudo está em chamas, eu gosto de morar dentro escombros, eu gosto apreciar os cortes enquanto sangram, Eu gosto da dor de suas palavras cuspidas como fogo a me atingir, eu gosto de caminhar dispersa por entre membros mutilados. Mas eu gosto mesmo do infindável tormento que me causas. Meu ego masoquista escravo infindável do meu devaneio clama por ti.
  E aquele pseudo-mocinho inconformado e vingativo que mora dentro de você, ainda na procura continua pelo vilão cruel que prendeu-nos nesta masmorra e ateou fogo… Só há um pequeno problema, o mesmo que você ainda não se deu conta: Não há vilão algum. Só eu e você. Fomos atingidos por inteiro, somos vitimas e escravos do nosso próprio pecado.
  Você seria meu escárnio veneno letal sob o  qual eu deleitava-me em grandes doses do mesmo sofria overdoses, tetava reabilitar-me, e logo após tão pouco entregava-me a ti novamente, devorando-te.
  E eu seria aquele pequeno pontinho em meio a tantos que sofrem, sou aquele pontinho que chora baixinho detrás da porta rezando para que fique, pedindo perdão a Deus por toda essa ganância em ter-te e principalmente por todo o mal, toda a carnificina que causo a mim mesma.
                                                                                   
                                                                                                   Ananda Albuquerque

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Assombrosas tardes de setembro...

 Tomava constantes doses nostálgicas… A cada riso sarcástico vindo da rua que lhe invadia a sacada em um fim de tarde qualquer; a um medíocre par de olhos castanhos que a fitava vulgarmente na esquina; a qualquer um de cabelo bagunçado que a esbarrava no caminho; a toda e qualquer desleixada combinação sobreposta por um moletom, com as mangas maiores que os braços que encontrava por ai(…) E todo aquele pesar a envenenava aos poucos, fora atingida matando todas as borboletas que viviam dentro de si, só lhe restara um coraçãocongelado-vazio-quebradoque sua própria morfina já não era mas o suficiente para conter tamanha dor. Cartas, fotos, roupas(…) Juntou tudo o que havia restado e que ainda o lembrava, transformou tudo em cinzas, dispersas ao vento. Ainda assim, as paredes, as paredes guardavam a história, a qual decidiu apagar, das mesmas livrou-se, mudou-se. Fugiu não deixando rastros, deixando todas as lembranças concretas para trás. O mandou embora das gavetas, das paredes azuis, dos retratos na estante, do som do carro, do gosto por panquecas doce no café da manhã... Já havia o expulsado da sua vida há tempos, e ainda assim aqueles fantasmas viviam dentro de si onde quer que fosse como uma sombra a persegui-la, atormentando-a.
                                                                                        Ananda Albuquerque

Retalhes dos velhos, João e Maria.


   Estive em uma busca incessante por respostas que nunca me chegariam... O que me fazia voltar atrás, engolir a uma unica dose o costumeiro orgulho ? O prendia a ti de um modo tão avassalador que me fazia perder o fôlego e esquecer que eu tinha uma vida além daquelas paredes? Mesmo após aquela tarde de novembro, garrafas e pratos quebrados... Dois corações a mil pedaços, tentando lutar contra a realidade sombria que os cercara. O que me prendia mesmo, depois de tantas tempestades e tapas na cara?  O que detinha-nos a desapegar-se de nós mesmos e nos fazia continuar a remoer aquela velha história com o roteiro premeditado, mesmo após tantos estragos, o que prendia-nos? A resposta à mim cairá como um tiro no pé, a qual sempre soube, mas nunca tive coragem assumir tamanha fraqueza: És como o ópio viciante, que aos poucos me destrói, o meu consciente já não é capaz de deter-te, pois do mesmo tornei-me dependente. 
   A conclusão que cheguei a pouco, corrói-me por dentro como um vírus a tomar-me por inteiro onde não há remédio capaz de exterminá-lo
O meu maior erro foi no principio quando eu revidei aquele primeiro sorriso escroto que me tomava, com o mesmo. O meu maior erro foi ter acreditado mais uma vez em “nós”, Pedro, mesmo tendo aquele fim doloroso as vistas. Foi ter me doado por completo a ti; mergulhado de cabeça sem medir as conseqüências; contradizer tudo o que me falavam ao seu respeito. Meu maior erro foi no principio o qual deveria ter findado por lá mesmo.
  Nós fomos um erro Marina? Fomos sim. Mas mesmo o meu inconsciente, berrando, sacudindo-me, jogando a verdade nua, crua e cruel na cara. Mesmo você desistindo de “nós”. Ainda que eu preveja como você disse “o fim trágico”, como tantos fins que tivemos. Ainda assim eu não vou desistir de “nós”, Desenharei pequenos fios de esperança que me sustentem e leve-me a caminhar até você, mesmo o meu consciente contrariando, ainda com um nó na garganta eu não vou desistir.
   E você sabe o porquê Marina? A vida é assim mesmo, de quando em quando ela te prega essas peças pra mostrar-te o quanto és forte. Você não pode passar por cima dos sapos que a vida lhe põe no caminho. Você deve engolir um a um, muitas vezes como se fosse o seu prato favorito, você tem obrigação de engoli-los. Você não pode fugir do sofrimento como uma criança imatura que não quer encarar a realidade. Ninguém vive em estado de plena felicidade. Sofrimento? É apenas mais um paradoxo. É como minha avó dizia: “Chorar e sofrer nunca há de te fazer mal, ao contrário, só ajuda a amadurecer e tornar-te mais forte.”
   Você não pode fugir Marina, é só uma fase ruim. Você não pode ser tomada pelo medo. Mesmo tendo certeza que vai dar tudo errado, mesmo tendo um mundo e suas opiniões negativas ao nosso respeito, eu não vou desistir de “nós”. E contrariarei a todos e te convencerei a segurar a minha mão e vir comigo, eu preciso de você Marina. Eu preciso pra continuar tentando. Por que a vida é assim mesmo, quando encontramos alguma coisa que nos valha realmente à pena, por mais que soframos e não der certo agente reinicia e continua tentando.
                                                                                                       Ananda Albuquerque