Os ponteiros seguem a tiquetaquear engolindo presente e o vomitando a um abismo tumultuado de memórias ao passado. A angustia parte de algum pedaço deixado lá, parte de um pequeno vazio que outrora tivera grandiosa exorbitância. A um presente de tormenta de "ex tudo" que hoje não passa de poeira, sujeira, poluição um resto de um nada que um dia foi o tudo nítido e bonito. A confusão tumultua corpos surrados pelo tempo... Tempo, e os ponteiros seguem sem pausas para as decisões conturbadas do cotidiano, seguem a engolir as dúvidas conturbadas de quem espera o dia seguinte pra decidir, os que arrastam acorrentados consigo sujeira do passado. Mas viver não seria morrer? ao sairmos da inércia da luz e mergulhamos nesse mundo conturbado, estamos condenados ao tiquetaquear regressivo da mote que era vida, viver seria morrer-se a cada embalo dos ponteiros. E você ainda continuara a empurrar os dias com a barriga prevendo um ''talvez'' futuro de certezas, você continuara entregue a uma noite de exaustão, fruto de um dia corrido de trabalho a espera de um futuro gratificante! Então observo o velho relógio empoeirado na parde da sala badala 00:00hs é hora de deitar-se, vou até a cozinha beber água e o observo novamente na volta, 00:03, o futuro é tão insignificante que nem chega expirar o sopro da vida e já morreu, tornou-se mais uma vitima entregue ao labirinto do passado. Vem uma vontade de ir além das claustrofóbicas paredes de concreto, de dissipar-se ao vento e ser levado a decisões, mas o seu corpo esta cansado demais rende-se ao sono e a infindável promessa de um "amanhã talvez...". No entanto pensar no futuro, só fara o presente permanecer paralisado, intocado. Só deixará o presente hesito, não recua, não avança... Tempo, está é a resposta do mundo neoclássico a si. A poeira guardada embaixo do tapete, ao "ex-tudo" que já morreu a muito, uma faxina na vida? O concreto, a poluição sonora, a exaustão diária lhe farão adiar: Mês que vem ou semana que vem... Amanha, quem sabe? E os ponteiros seguem a dissiparem-se ao passado...
AnandaAlbuquerque
Ao invés de luz, tem tiroteio no fim do túnel...
sexta-feira, 4 de maio de 2012
domingo, 22 de abril de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
Você que veio das estrelas...
Você, que veio das estrelas e deu o grande mergulho no mundo de matéria.
Você, que veio das estrelas e, com o sacrifício de sua própria origem cósmica, se abrigou num invólucro de carne.
Você, que veio das estrelas e abandonou a realidade universal para habitar o mundo de ilusões.
Você, que veio das estrelas, e que agora sente-se estranhamente só, esqueça-se de tudo e entregue-se aos apelos de sua voz interna. Ouça o que ela tem para lhe dizer, que nada mais é tão importante, nem mesmo os compromissos com que o mundo tenta distrair sua visão cósmica. Descobrirá que, na verdade, não está só, que são muitos os seus irmãos das estrelas que para cá também vieram para estender a mão e amparar com ombros fortes os passos da humanidade desta difícil época de transição. Será fácil reconhecê-los, palavras não serão necessárias, e nem mesmo será preciso saber seus verdadeiros nomes.Saberá encontrá-los pela afinidade de suas energias, pelo chamado de seus corações e pela profunda identificação com seus sentimentos.
Você, que veio das estrelas, sente agora no canto mais íntimo de sua alma, que chegou o momento de encontrar, na Terra, a sua família universal, que chegou o momento do reconhecimento, que chegou o momento da reunião de todas as forças para a realização da missão única de que todos se incumbiram, antes de aqui chegarem. Abra seu coração, acorde sua consciência adormecida, apalpe seu ser interior, deixe que ele fale, acima de tudo, acima do mundo, acima de todos os conceitos que não lhe permitem existir em toda a sua potencialidade cósmica.
Você, que veio das estrelas, que é todo luz e é todo força, libere-se, que chegou o tempo de abrir as portas para uma nova era.Você, que veio das estrelas, eterno viajante do espaço, compartilhando agora com tantos outros irmãos uma experiência tridimensional e difícil, não se deixe mais perder em momentos inúteis que lhe trazem apenas solidão, não se deixe mais seduzir pelas falsas luzes do asfalto, assuma sua personalidade cósmica, estenda seus braços e, num único abraço, envolva sua grande família, sua imensa família universal e todos juntos, com plena consciência da unidade de sua origem, cada qual com a sua parcela de colaboração, cumprirão com alegria e coragem o maravilhoso trabalho de conscientização da humanidade para este novo milênio!
Wagner Borges
domingo, 1 de abril de 2012
O abraço abrigueiro daqueles que contam-nos as mais dolorosas mentiras
Saudade do tempo em que o riso a toa escoava madrugada a dentro. Saudade de quando o excesso de palavras era exaustivo e culpado a ponto de esquecermos de falar o que importava. Saudade de quando as manhas chuvosas costumavam ser alegres. Saudade de quando o despertador as 6:00 não despertava só o sono pra longe, despertava-me um riso ecoante. Saudade do abraço abrigueiro que putrefou com as mentiras. Saudade de quando o céu cintilava azul ao contrário deste cinza mórbido que hoje asfixia-me.
Eu o dei a mão para reergue-se quando o mundo vomitava "infâmias" sobre si. Mas ao tocar-me sorrindo docilmente ele levou consigo a minha inocência, o meu riso, e o pior levou a confiança que eu tinha para com o mundo. Vejo todos com malícia e perversão, todos como sendo ele, sonho com membros mutilados flutuantes sob o sangue em sincronia dançante, vejo cabeças decapitadas e seus corpos debatendo-se suplicando piedade, eu vejo o mundo ardendo em eterna chama pagando por toda a confiança e inocência arrancada de uma criança tola que rir atoa para um qualquer.
Mas ele até disse que gostava um tiquinho de mim, até achava engraçado o som burlesco do meu riso. Por pura maldade eu sei, ele sabia que aqueles pequenos e falsos momentos bons, daria uma impressão futura de realidade continua. Então eu o matei e o mato novamente, todos os dias, mas ele é impertinente e insiste em renascer, assim são as raízes de um balboa quando ficam-se, tornam-se extermináveis.
E o trem segue no embalo dos trilhos, o tempo nebuloso ainda cheira a sua fumaça, de longe eu ainda o vejo indo-se a desfazer seu destino no horizonte. Um rancor amargo forma-se em minha garganta, não há como arranca-lo e deixar o ambiente ao seu redor intacto. O que sobra são os buracos do que me foi arrancado, o que jamais voltará no embalo barulhento do trem, o não doer do que mais dói: Saudade. Saudade da ingenuidade, dos beijinhos que saravam o doer dos arranhões. Saudade... de quando não havia saudade.
Ananda Albuquerque
Eu o dei a mão para reergue-se quando o mundo vomitava "infâmias" sobre si. Mas ao tocar-me sorrindo docilmente ele levou consigo a minha inocência, o meu riso, e o pior levou a confiança que eu tinha para com o mundo. Vejo todos com malícia e perversão, todos como sendo ele, sonho com membros mutilados flutuantes sob o sangue em sincronia dançante, vejo cabeças decapitadas e seus corpos debatendo-se suplicando piedade, eu vejo o mundo ardendo em eterna chama pagando por toda a confiança e inocência arrancada de uma criança tola que rir atoa para um qualquer.
Mas ele até disse que gostava um tiquinho de mim, até achava engraçado o som burlesco do meu riso. Por pura maldade eu sei, ele sabia que aqueles pequenos e falsos momentos bons, daria uma impressão futura de realidade continua. Então eu o matei e o mato novamente, todos os dias, mas ele é impertinente e insiste em renascer, assim são as raízes de um balboa quando ficam-se, tornam-se extermináveis.
E o trem segue no embalo dos trilhos, o tempo nebuloso ainda cheira a sua fumaça, de longe eu ainda o vejo indo-se a desfazer seu destino no horizonte. Um rancor amargo forma-se em minha garganta, não há como arranca-lo e deixar o ambiente ao seu redor intacto. O que sobra são os buracos do que me foi arrancado, o que jamais voltará no embalo barulhento do trem, o não doer do que mais dói: Saudade. Saudade da ingenuidade, dos beijinhos que saravam o doer dos arranhões. Saudade... de quando não havia saudade.
Ananda Albuquerque
quinta-feira, 1 de março de 2012
Ilusões me apetecem.
Eu sou mesmo impossível moço, as ilusões me apetecem, cintilam amarelado tão falso quanto bijuteria de quinta, mas para mim elas brilham bem mais que o mais pura verdade, causam-me demasiada cobiça em possui-las. É bom e velho ego altista com sua mania idiota de construir sonhos dentro do seu próprio mundo, só pela volúpia masoquista em vê-los desmoronar como uma torre de cartas que cai a um sopro, mas nem de papel eles são moço, nem de papel. Não te preocupas moço, sangra mas não me dói mais, tá vendo? Essas mentiras são banais, já acostumei moço, não carece mais nem um golinho d'água como antes, engulo a seco oh. É algo natural moço. As ilusões me apetecem, a insensatez me apetece. Posso te contar um segredo moço, só promete que não contas a ninguém?... Eu tenho medo do escuro, moço, é a verdade sabe, ela está levando todas as borboletas que viviam dentro de mim, todas as noites... Ela entra pela janela eriçando pelos, ela se esconde debaixo da cama, ela é esperta, fica quietinha, e vem por debaixo das cobertas a me puxar o pé. Fique comigo moço, eu tenho muito medo, segure a minha e espere que eu durma, me fala que você fica ao meu lado e que se eu precisar de qualquer coisa posso chamar-te. Então fica moço. Não a deixe levar as borboletas. Manda ela ir embora! manda ela ir embora...
Ananda Albuquerque
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Pecado impiedoso que dorme ao lado.
Seria o possuidor cínico de um telhado de vidro mesmo
conhecendo as consequêcias revi-dativas da ‘lei de talião’ a atirar pedra
friamente em vidraça alheia. Seria
indesejável verdade adormecida que coagula, desejando uma fresta pra escapar e
finalmente ser aceita. Seria
o passado sombrio que acorrenta a realidade consigo a tornar qualquer passo positivo
desconfiável. Seria
a ilusão radiante e ensolarada fantasiada por cima da tempestade, que suplica a
si mesmo que aceite a verdade a qual desenhou. Seria
a incomoda pedra que reside há muito no sapato, e de tanto esperar tornou-se
costumeiramente agradável. Seria
um enigma indecifrável, seria o desassossego, seria o mal que envenena e corroê aos poucos, seriam todos vazios e
excessos, todas as certezas ou ilusões.
Ananda Albuquerque
Mas também era o seu último seu sopro
de vida diante do mundo, o seu refugio, a sua volta pra casa, o seu ponto de
paz...
Ananda Albuquerque
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