domingo, 15 de abril de 2012

Você que veio das estrelas...


Você, que veio das estrelas e deu o grande mergulho no mundo de matéria.
Você, que veio das estrelas e, com o sacrifício de sua própria origem cósmica, se abrigou num invólucro de carne.
Você, que veio das estrelas e abandonou a realidade universal para habitar o mundo de ilusões.
Você, que veio das estrelas, e que agora sente-se estranhamente só, esqueça-se de tudo e entregue-se aos apelos de sua voz interna. Ouça o que ela tem para lhe dizer, que nada mais é tão importante, nem mesmo os compromissos com que o mundo tenta distrair sua visão cósmica. Descobrirá que, na verdade, não está só, que são muitos os seus irmãos das estrelas que para cá também vieram para estender a mão e amparar com ombros fortes os passos da humanidade desta difícil época de transição. Será fácil reconhecê-los, palavras não serão necessárias, e nem mesmo será preciso saber seus verdadeiros nomes.Saberá encontrá-los pela afinidade de suas energias, pelo chamado de seus corações e pela profunda identificação com seus sentimentos.
Você, que veio das estrelas, sente agora no canto mais íntimo de sua alma, que chegou o momento de encontrar, na Terra, a sua família universal, que chegou o momento do reconhecimento, que chegou o momento da reunião de todas as forças para a realização da missão única de que todos se incumbiram, antes de aqui chegarem. Abra seu coração, acorde sua consciência adormecida, apalpe seu ser interior, deixe que ele fale, acima de tudo, acima do mundo, acima de todos os conceitos que não lhe permitem existir em toda a sua potencialidade cósmica.
Você, que veio das estrelas, que é todo luz e é todo força, libere-se, que chegou o tempo de abrir as portas para uma nova era.Você, que veio das estrelas, eterno viajante do espaço, compartilhando agora com tantos outros irmãos uma experiência tridimensional e difícil, não se deixe mais perder em momentos inúteis que lhe trazem apenas solidão, não se deixe mais seduzir pelas falsas luzes do asfalto, assuma sua personalidade cósmica, estenda seus braços e, num único abraço, envolva sua grande família, sua imensa família universal e todos juntos, com plena consciência da unidade de sua origem, cada qual com a sua parcela de colaboração, cumprirão com alegria e coragem o maravilhoso trabalho de conscientização da humanidade para este novo milênio!
                                                                   
                                                                         Wagner Borges

domingo, 1 de abril de 2012

O abraço abrigueiro daqueles que contam-nos as mais dolorosas mentiras

  Saudade do tempo em que o riso a toa escoava madrugada a dentro. Saudade de quando o excesso de palavras era exaustivo e culpado a ponto de esquecermos de falar o que importava. Saudade de quando as manhas chuvosas costumavam ser alegres. Saudade de quando o despertador as 6:00 não despertava só o sono pra longe, despertava-me um riso ecoante. Saudade do abraço abrigueiro que putrefou com as mentiras. Saudade de quando o céu cintilava azul ao contrário deste cinza mórbido que hoje asfixia-me.
  Eu o dei a mão para reergue-se quando o mundo vomitava "infâmias" sobre si. Mas ao tocar-me sorrindo docilmente ele levou consigo a minha inocência, o meu riso, e o pior levou a confiança que eu tinha para com o mundo. Vejo todos com malícia e perversão, todos como sendo ele, sonho com membros mutilados flutuantes sob o sangue em sincronia dançante, vejo cabeças decapitadas e seus corpos debatendo-se suplicando piedade, eu vejo o mundo ardendo em eterna chama pagando por toda  a confiança e inocência arrancada de uma criança tola que rir atoa para um qualquer.
   Mas ele até disse que gostava um tiquinho de mim, até achava engraçado o som burlesco do meu riso. Por pura maldade eu sei, ele sabia que aqueles pequenos e falsos momentos bons, daria  uma impressão futura de realidade continua. Então eu o matei e o mato novamente, todos os dias, mas ele é impertinente e insiste em renascer, assim são as raízes de um balboa quando ficam-se, tornam-se extermináveis.
   E o  trem segue no embalo dos trilhos, o tempo nebuloso ainda cheira a sua fumaça, de longe eu ainda o vejo indo-se a desfazer seu destino no horizonte. Um rancor amargo forma-se em minha  garganta, não há como arranca-lo e deixar o ambiente ao seu redor intacto. O que sobra são os buracos do que me foi arrancado, o que jamais voltará no embalo barulhento do trem, o não doer do que mais dói: Saudade. Saudade da ingenuidade, dos beijinhos que saravam o doer dos arranhões. Saudade... de quando não havia saudade.

                                                                                                 Ananda Albuquerque