sexta-feira, 4 de maio de 2012

Da morte que era vida

Os ponteiros seguem a tiquetaquear engolindo presente e o vomitando a um abismo tumultuado de memórias ao passado. A angustia parte de algum pedaço deixado lá, parte de um pequeno vazio que outrora tivera grandiosa exorbitância. A um presente de tormenta de "ex tudo" que hoje não passa de poeira, sujeira, poluição um resto de um nada  que um dia foi o tudo nítido e bonito. A confusão tumultua corpos surrados pelo tempo... Tempo, e os ponteiros seguem sem pausas para as decisões conturbadas do cotidiano, seguem a engolir as dúvidas conturbadas de quem espera o dia seguinte pra decidir, os que arrastam acorrentados consigo sujeira do passado. Mas viver não seria morrer? ao sairmos da inércia da luz e mergulhamos nesse mundo conturbado, estamos condenados ao tiquetaquear regressivo da mote que era vida, viver seria morrer-se a cada embalo dos ponteiros. E você ainda continuara a empurrar os dias com a barriga prevendo um ''talvez'' futuro de certezas, você continuara entregue a uma noite de exaustão, fruto de um dia corrido de trabalho a espera de um futuro gratificante! Então observo o velho relógio empoeirado na parde da sala badala   00:00hs é hora de deitar-se, vou até a cozinha beber água e o observo novamente na volta, 00:03, o futuro é tão insignificante que nem chega expirar o sopro da vida e já morreu, tornou-se mais uma vitima entregue ao labirinto do passado. Vem uma vontade de ir além das claustrofóbicas paredes de concreto, de dissipar-se ao vento e ser levado a decisões, mas o seu corpo esta cansado demais rende-se ao sono e a infindável promessa de um "amanhã talvez...". No entanto pensar no futuro, só fara o presente permanecer paralisado, intocado. Só deixará o presente hesito, não recua, não avança... Tempo, está é a resposta do mundo neoclássico a si. A poeira guardada embaixo do tapete, ao "ex-tudo" que já morreu a muito, uma faxina na vida? O concreto, a poluição sonora, a exaustão diária lhe farão adiar: Mês que vem ou semana que vem... Amanha, quem sabe? E os ponteiros seguem a dissiparem-se ao passado... 


                                                                                                         AnandaAlbuquerque