quinta-feira, 1 de março de 2012
Ilusões me apetecem.
Eu sou mesmo impossível moço, as ilusões me apetecem, cintilam amarelado tão falso quanto bijuteria de quinta, mas para mim elas brilham bem mais que o mais pura verdade, causam-me demasiada cobiça em possui-las. É bom e velho ego altista com sua mania idiota de construir sonhos dentro do seu próprio mundo, só pela volúpia masoquista em vê-los desmoronar como uma torre de cartas que cai a um sopro, mas nem de papel eles são moço, nem de papel. Não te preocupas moço, sangra mas não me dói mais, tá vendo? Essas mentiras são banais, já acostumei moço, não carece mais nem um golinho d'água como antes, engulo a seco oh. É algo natural moço. As ilusões me apetecem, a insensatez me apetece. Posso te contar um segredo moço, só promete que não contas a ninguém?... Eu tenho medo do escuro, moço, é a verdade sabe, ela está levando todas as borboletas que viviam dentro de mim, todas as noites... Ela entra pela janela eriçando pelos, ela se esconde debaixo da cama, ela é esperta, fica quietinha, e vem por debaixo das cobertas a me puxar o pé. Fique comigo moço, eu tenho muito medo, segure a minha e espere que eu durma, me fala que você fica ao meu lado e que se eu precisar de qualquer coisa posso chamar-te. Então fica moço. Não a deixe levar as borboletas. Manda ela ir embora! manda ela ir embora...
Ananda Albuquerque
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